[PESQUISA] Escola de estratégia Sandbox disponibiliza estudo sobre formação de planejadores

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Pesquisa realizada pela Sandbox Escola de Estratégia — que é parceira do Grupo de Planejamento no Planning Academy — revela um “ciclo de frustração” na área de planejamento das agências.

Confira abaixo o release oficial completo — e clique NESTE LINK para ter acesso ao report na íntegra em PDF.


Planejamento vive dilema na formação profissional, aponta estudo da Sandbox

Pesquisa realizada pela Sandbox Escola de Estratégia revela um “ciclo de frustração” na formação da área de planejamento.

Os números mostram jovens profissionais com muita vontade de crescer, mas que não se sentem prontos nem preparados por suas agências.

Entre os planejadores em nível gerencial, 68% almejam uma promoção em até dois anos, mas apenas 9% deles se sentem muito bem preparados para isso.

Do outro lado, os dirigentes da área sentem falta de planejadores mais bem preparados, mas não conseguem dedicar tempo e dinheiro para esse fim: aproximadamente 70% das agências não oferece sequer um incentivo financeiro parcial para treinamentos.

Apenas 15% oferece um sistema de feedback considerado bom ou ótimo pelos funcionários.

O estudo foi realizado com 150 planejadores das principais agências do Brasil – incluindo as especializadas em BTL, digital e RP. Além disso, foi complementado com entrevistas em profundidade com 10 líderes da disciplina em suas agências.

“Há uma sensação geral de que existe um déficit de formação no planejamento. Pela primeira vez, tivemos a oportunidade de fazer um estudo concreto com as duas perspectivas do problema (planejadores e heads) e contribuir com fatos, dados e números.”, comenta Daniel De Tomazo, sócio da Sandbox e head de planejamento da Ogilvy.

Crescer rápido e sem direção

Logo no começo da sua gestão à frente do Grupo de Planejamento, Ken Fujioka, sócio e vice-presidente de planejamento da Loducca, destacou as dores de crescimento do mercado de planejamento, área que ganhou muito destaque nos últimos anos e agora sofre para ter profissionais qualificados, à altura da expectativa que se tem sobre eles.

No estudo, fica clara a ansiedade por um crescimento muito rápido por parte de planejadores juniores e plenos. 66% dos supervisores de planejamento estão no cargo há 4 anos ou menos, sendo que 72% deles querem estar na posição de gerente em, no máximo, um ano.

“Há uma ansiedade natural de quem sai da faculdade e já quer ir pra Cannes tomar rosé no dia seguinte. E tudo tem que acontecer em 4 anos.”, dispara Débora Nitta, head de planejamento da WMcCann.

Mas, o que chama ainda mais atenção do que a busca pela ascensão meteórica, é que apenas 7% desses mesmos profissionais declaram se sentir totalmente preparados para ocupar um cargo acima do seu.

Para Ana Paula Kuroki, head de planejamento da YR, o contexto do mercado nos últimos anos ajuda a explicar essa situação. “Com o boom do planejamento, houve uma grande juniorização, porque havia muitas posições abertas e muito poucos profissionais qualificados. Dada a necessidade, era muito comum usar o cargo como moeda de negociação, mesmo que a profissional ainda não estivesse preparado. Transformou-se muito assistente bom em supervisores medíocre, simplesmente para suprir a demanda. E isso ainda não parou de acontecer.”

Fernando Diniz, head de planejamento da DPZ&T, complementa com uma outra perspectiva sobre a questão. “A ansiedade do crescer é geracional, é da área, mas também vem da falta de clareza de como se sobe de cargo, de quais skills são necessários ter para cada cargo.”

Questionados sobre áreas em que eles sentem necessidade de melhora, menos de 10% dos planejadores colocaram pensamento estratégico e capacidade analítica como prioridades. A capacidade de definir problemas apareceu com apenas 9% entre as principais áreas de evolução do planejador.

Na visão de Ken Fujioka, “entender profundamente o problema antes de sair recomendando a solução talvez seja o principal desafio do planejador. Os problemas estão cada vez mais complexos e entender qual o impacto e os limites da comunicação sobre eles é cada vez mais fundamental.”

Porém, as habilidades mais presentes nas respostas dos pesquisados foram aquelas relacionadas à capacidade de gestão e liderança. E isso se repetiu em todos os níveis hierárquicos, incluindo até mesmo assistentes e analistas.

“Não sinto uma sede de conhecimento nos planejadores hoje. Parece que eles não enxergam mais as questões técnicas como decisivas para suas carreiras.”, comenta Newton Nagumo, head de planejamento da Dentsu.

O outro lado da moeda: falta investimento em capacitação

O estudo também coloca luz sobre outro lado da questão: os esforços de treinamento para o profissional de planejamento.

Dentro de casa, 83% dos planejadores afirmam que suas agências não tem programas próprios de treinamento. E, aproximadamente, 70% das agências também não oferece alguma opção, seja na forma de subsídio ou incentivo financeiro parcial.

Mesmo pensando em formas de capacitação que não dependam de um treinamento formal, apenas 18% das pessoas consideram o sistema de feedback da agência bom ou ótimo, sendo que quase metade das agências sequer tem essa cultura formalizada.

Além disso, apenas 1 em cada 3 planejadores está muito satisfeito com o nível de aprendizado que tem com o seu superior e com a disponibilidade dele em dar feedbacks sobre o seu trabalho.

“Existia um perfil de ensinar muito forte, dando aula mesmo, que não se encontra mais hoje. Vejo uma dificuldade de gestão de pessoas e de ensinar. E como o planejador júnior não teve isso, ele também não entende que hoje tem uma responsabilidade de formar para baixo.”, analisa Ana Paula Kuroki.

Beco sem saída?

Aparentemente, a situação chegou a um ponto em que é difícil encontrar soluções. Para Daniel De Tomazo, não é bem assim. “Além de o beco ter saída, tem mais de uma. Enquanto os dois lados esperarem soluções ideais, o ciclo de frustração vai continuar rodando. Mas quem está começando pode calibrar suas prioridades e iniciativas. E quem dirige pode perseguir um pouco mais de disponibilidade mental e financeira para formação de suas equipes. Se cada lado der pequenos passos que estão ao seu alcance, o impasse é desfeito.”

Hoje, já é possível ver iniciativas nessas duas frentes.

Agências como a AlmapBBDO e Artplan oferecem treinamentos constantes para a área de planejamento, focados em preenhcer o gap técnico em algumas habilidades identificadas pelos líderes da área na agência.

Outra iniciativa veio da parceria da Sandbox com o Grupo de Planejamento na criação do Planning Academy, programa de formação para planejadores desenhado em três ciclos, para atender separadamente profissionais de nível júnior, pleno e sênior, trabalhando habilidades específicas para cada um desses grupos.

“Na Sandbox, todos os cursos são desenvolvidos em cima de habilidades específicas que cada planejador precisa desenvolver. Por exemplo, na Planning Academy, em parceria com o GP, criamos ciclos que trabalhassem com diferentes habilidades para diferentes momentos de carreira. É importante que assistentes e supervisores percebam que suas competências não precisam ser as mesmas de diretores.”, afirma Felipe Senise, diretor de planejamento da Loducca e sócio da Sandbox junto com Tomazo.

A pesquisa é a primeira de uma série de estudos da Sandbox sobre o mercado de estratégia e foi realizada entre os dias 10 e 30 de junho de 2015, com 150 planejadores das principais agências do Brasil, concentradas majoritariamente em São Paulo.

1 comentário

  1. helenmorais

    No final da análise, chega-se a conclusão que precisa melhorar tecnicamente. Que técnicas são essas que está faltando ? O que sinto é que a moçada vem com uma boa bagagem na área de informática, linguas e até mesmo nas técnicas de planejamento, mas o que falta é uma cultura geral, que muitos não tem até pela falta de idade, no sentido que ainda não deu tempo para adquirir os conhecimentos gerais necessários.
    Mas realmente eu gostaria de saber que formação técnica se espera de um planejador?

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