[ARTIGO] “Guerra seria só show, não fossem os Repórteres Sem Fronteira”, por Jurandir Craveiro

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Guerra seria só show, não fossem os Repórteres Sem Fronteira

Por Jurandir Craveiro (*)

A ONG Reporters Sans Frontières lançou o 50º Anuário Fotográfico com um filme na web que promove a liberdade de imprensa e realça o papel dos fotógrafos independentes, sem os quais a guerra seria apenas mais um show na TV.

A edição é dedicada ao francês Robert Capa, uma lenda entre os fotógrafos, considerado o mais intrépido repórter de guerra do século XX.

Reporters Sans Frontiers (Reporters Without Borders). The 50th anniversary issue dedicated to Robert Capa. 2015.

A foto acima foi tirada por Capa na Bélgica, na região das Ardennes, durante a Batalha de Bulge, em dezembro de 1944, e mostra um soldado americano capturando um alemão.

Feito pela agência BETC Paris com todo o exagero criativo dos franceses, o filme nada mais é do que uma colagem de imagens de TV, uma produção barata, própria de uma ONG sem recursos.

No filme estrelam personagens como o ditador norte-coreano, Kim Jon Il e os todo-poderosos Vladimir Putin e George W. Bush. Mas não só: outros políticos, governantes e comandantes são flagrados em meio a confraternizações, paradas e desfiles militares. A música de fundo é a Marcha Radetzky de Johann Strauss.

Não é um primor criativo, mas a essencialidade dos repórteres fotográficos freelance como foco do posicionamento é bem interessante. Essenciais porque transmitem a realidade nua e crua dos conflitos bélicos. Correm perigo para mostrar o que os exércitos e governos não gostam de mostrar.

No ano passado foram mortos 63 jornalistas no mundo e não só em zonas de guerra. Em janeiro de 2016, já são 3, segundo informa a Reporters Sans Frontières.

A ONG está divulgando o “Manual de Defesa para Jornalistas e Blogueiros: Princípios da Liberdade de Expressão e Informação de Acordo com a Legislação Internacional.” Baixe o pdf você também, se estiver com minhocas na cabeça de um dia ir cobrir uma guerra!

“Sustente quem arrisca a vida para mostrar a verdade” e faça uma doação –  esse é o call to action e objetivo último da campanha. Sustentar quer dizer claramente financiar. Resta saber qual será o efeito da arrecadação ao longo do ano.

Repórteres Sem Fronteiras não tem o mesmo apelo que a Medecins Sans Frontières, obviamente, apesar das semelhanças conceituais.

Mesmo sem atuar com médicos no Brasil,  a representação local  –  Médicos Sem Fronteiras  –  é campeã na arrecadação de doações de pessoas físicas no país.

Sabe aproveitar muito bem os dramas humanitários aos quais acode e aonde presta serviços médicos relevantes.


(*) Jurandir Craveiro é planejador de marca e comunicação. Foi fundador da agência NBS. É presidente do Conselho Diretor do Instituto Socioambiental, vice-presidente do Grupo de Planejamento (GP) e autor do Blog do Jura.

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