[ARTIGO] “SXSW 2017: Hey, olhe pro lado!”, por Flavia Campos

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SXSW 2017: Hey, olhe pro lado!

Por Flavia Campos (*) 

Ou melhor, olhe para o seu lado e não para o seu umbigo. Pra mim, esse tem sido até agora o mantra do SXSW 2017.

Enquanto passamos nossos dias cuidando de girar a roda do capitalismo, tem muita gente fazendo das tripas coração para ser a mudança que quer ver no mundo. Pode até parecer piegas, mas essa é a verdade que da o mood desse lugar.

Ninguém aqui tá esperando que as soluções caiam do céu. As pessoas de fato se reconhecem como parte do problema e se disponibilizam a mudar as coisas.

Vi um cara que produziu na unha um plástico que simplesmente derrete quando entra em contato com a água. Esse mesmo cara, bebeu a água em que o plástico foi derretido diante dos meus olhos atentos e quase incrédulos. Ele não era um palestrante. Ele era platéia.

Vi crianças entre 7 e 10 anos acompanhando atentamente um papo sobre humanos, robôs e micróbios. Marte também tava no meio do assunto e a produção de oxigênio era de fato, algo encantador para os pequenos.

Vi o Watson arrebatando corações (inclusive o meu), por ser mais empático que muita gente que cruza nosso caminho. Veja bem, humanos usando robôs para ensinar empatia para outros humanos. Empatia deveria ser que nem pulmão – todo mundo tem e todo mundo usa. Né?

Vi temas importantes e atuais sendo tratados de forma séria e sem um pingo de hipocrisia, por pessoas que estão trabalhando duro na ação e ficando bem longe do oportunismo que serve de escada para os pseudo-ativistas de plantão.

Tenho visto muita coisa por aqui. Ou melhor, estou vendo muita gente fazendo muitas coisas por aqui. A maioria delas, eu nem sonhava que pudesse ser feitas.

O SXSW não é sobre saber tudo. É sobre tudo que você pode fazer a respeito do que sabe. É sobre sair da passividade e botar a vida em movimento.

A palestra do Casey Neistat foi sobre fazer aquilo que você “não pode fazer”. Aquilo que os outros julgam que é demais pra você, que não tem como dar certo, que é uma loucura, que vai dar merda. Esse é o desafio diário do cara. Mostrar que todos somos capazes de fazer algo que nos assusta, que dá medo, e que exatamente por isso, vai trazer mais sentido a nossa vida e ao mundo.

Antes de ver tudo que tô vendo por aqui, eu confesso que estava enxergando o copo meio vazio. Afinal o mundo tá esquisito né? Tá meio doente, equivocado, indiferente ao outro. Alheio a quem tá do lado.

Mas agora, vendo tanta gente do mundo inteiro considerando que o outro existe, reconhecendo que somos uma parte pequena do todo, mas que esse todo só vai se fortalecer se cada parte fizer o que deve ser feito, meu copo tá meio cheio.

Aqui, os fazedores são maioria. Não se trata de uma espaço “makers” funcionando como departamento de uma empresa. O lance é muito maior que isso. É sobre o princípio dos “makers” estar sendo transformado num princípio de vida, e começando a entrar pra o senso comum.

Afinal, a gente vive nesse mundão e os problemas que existem aqui, também são nossos. Ao mesmo tempo que são coletivos e compartilháveis, são pessoais e intransferíveis.

Portanto, olhe pro lado e faça o que deve ser feito.


(*) Flavia Campos é Head de Planejamento da Artplan.

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